Ah, sim, claro, como podemos imaginar, Donald Trump ainda se vai opor ao resultado e fazer tudo o que estiver ao seu alcance para questionar a legalidade da Presidência de Joe Biden. Mas pelo menos até lá Biden pode celebrar. E falar.
Vamos analisar o discurso de Joe Biden com atenção — porque merece e porque foi muito bem preparado e concretizado.
Entrada
Entrou em palco a correr com passo ligeiro. Quando vi até fiquei na dúvida se não era Barack Obama. Mas não, não era. A julgar pelo estilo da entrada, é muito provável que Biden tenha o mesmo conselheiro de imagem. Não sabemos. Mas sabemos que ficou bem — com 78 anos a correr daquela forma transmite esperança a todos.

Máscara multifuncional
Entrou em palco com uma máscara, claro. Já no último debate fez o mesmo e bem. Primeiro, marcou o seu ponto (Todos devem usar máscara! Pareço o António Costa a falar...) e resolveu o problema de sempre — O que fazer às mãos?! Enquanto dobrava e a guardava a máscara, passaram os primeiros 40 segundos — o tempo suficiente para respirar fundo, recuperar o fôlego depois da corrida e aliviar o stress. Pronto, tiro-lhe o chapéu, porque nunca vi uma forma tão criativa e ao mesmo tempo discreta de usar uma máscara.
Punho forte para uma presidência forte
Punho logo na entrada — sinal de força e sim, transmite uma certa energia. Vimos Biden fazer o mesmo no primeiro debate com Donald Trump e na altura resultou bem. Desta vez também. Porque não se deve aprender apenas com os erros, mas também com os momentos bem-sucedidos. E já que resultou uma vez, agora é para replicar vezes sem conta. Pelo menos nos próximos 4 anos.

“Está aí alguém conhecido?”
Encontrar caras conhecidas na multidão é uma ótima estratégia e Biden não foi o primeiro político a usá-la. Claro, conhece algumas das pessoas que lá estão — não estou a dizer o contrário. Mas vamos ser honestos: com tanta luz a bater nos olhos e tanta gente com máscara (!), parece-me pouco provável realmente reconhecer muitas caras conhecidas. Mas para televisão funciona — dá a sensação de ser amigo de todos e uma pessoa simpática. Se já conhecia “Smile and wave!” dos pinguins da famosa banda desenhada, agora pode usar o “Find and wave!” de Biden – porque resulta.

Gravata
A gravata foi uma escolha consciente também nos debates (pelo menos pareceu). Para este discurso a gravata voltou a ser em tons azuis e claros. Ou seja, continua a ser a cor do Partido Democrata (faz sentido), mas por ser mais clara dá a sensação de ser mais friendly. Confira na palete de tons em baixo.

Nota: Repararam que há alguns anos o logo do Facebook passou de mais formal para mais friendly?
Voz
Voz... Se eu fechasse os olhos, às vezes até parecia Barack Obama a falar. Não, não estou a falar do timbre único de Obama – estou a falar da entoação. Já em tempos falei sobre a maneira específica de Obama variar a voz — confirme no vídeo em baixo:
Desprezo é um sinal de superioridade, sabia?
Durante o discurso houve uma situação que me deixou uma sensação estranha — desprezo em macro expressão e sem qualquer tentativa de mascarar a emoção. Repare só nesta cara:

Porquê será? Porque está a falar da sua mulher, Dra. Jill Biden, que, conforme disse o marido, “is gonna make a great first lady. I am so proud of her”. Não duvido do seu orgulho e da relação de cumplicidade que existe entre o casal.
Por isso coloco como hipótese o seguinte: o desprezo surgiu porque, ao falar da futura Primeira Dama, se lembrou da anterior — Melania Trump. Como vimos nos últimos quatro anos, a mulher de Donald Trump só cumpriu o que era obrigatório e inevitável. O resto ficou com a enteada — Ivanka Trump.
Estou curiosa para ver a passagem da Presidência da Família Trump para a Família Biden. Mas isso só acontecerá no dia da Inauguração. Até lá vamos ter de aguardar e confinar. De preferência, em segurança.